
No interior do nosso cerebro tempos pequenas cavidades chamadas ventrículos, onde é produzido um líquido claro com aspecto visual muito semelhante a água, chamado líquido céfalo-raquidiano (liquor). Este líquido com a função principal de proteção mecânica, flui através de aquedutos e forames no interior e ao redor do nosso cérebro e medula. O liquor é constantemente produzido nos plexos coróides e reabsorvido nas granulações aracnóides, tendo um adulto um volume circulante estimado de 100 a 150ml, sendo este volume "renovado" em média a cada oito horas.
Pessoas que por algum motivo tem produção aumentada ou redução da reabsorção do liquor podem evoluir com acumulo do mesmo, levando a dilatação dos ventrículos, aumentando a pressão intracraniana e comprimindo o parenquima cerebral adjacente contra a calota craniana. Os sintomas deste quadro conhecido como hidrocefalia podem variar de cefaléia, vômitos e sonolência, a estados de piora da consciência, incluíndo estados de coma.
O tratamento desta condição se baseia na drenagem do excesso de liquor, podendo ser realizado através de punções, por meio de colocações de drenos temporários (derivação ventricular externa) ou definitivos (derivação ventriculo peritoneal), ou ainda por meio da abertura cirurgica de um novo trajeto para fluxo deste líquido no cerebro (terceiroventriculostomia endoscópica). A definição do tratamento depende de cada caso, sendo importante avaliar se a condição causadora da hidrocefalia é temporária ou definitiva.